Crise de identidade da minha nacionalidade

O dia hoje começou estranho... A última apresentação da minha pesquisa, que seria semana passada, será daqui há algumas horas. Um último suspiro para este ser que começou a ser formado, compilado, analisado e determinado por mim e minha orientadora. E só então, começo a perceber que este é o último semestre, que minha graduação, finalmente, chegou ao fim. E eu, em minha inocência, não percebi que estou desperdiçando meu último semestre. Tentando desesperadamente, encurtá-lo, buscando uma saída para as terras européias. 

Hoje acordei feliz por estar aqui, olhei pela janela, o céu acinzentado ainda mostrava traços do Cristo Redentor imponente e sobrevivente, em meio às nuvens e ao caos do céu carioca. Tudo aqui é um caos! Mas pensando bem, é um caos necessário, um caos que deixa tudo mais vivo, mais alerta. Um amigo espanhol foi assaltado e quando perguntei se ele estava bem, me respondeu numa mescla de português e espanhol: "Fui bautizado, estou en Rio de Janeiro guapa! Tenho que passar por esto, faz parte da experiencia!". Pois é, fazer parte... Acho que é isso que esta começando a acontecer comigo, talvez eu esteja começando a "fazer parte". O que é muito estranho, pois não consigo me identificar com essa cultura de praia, sol e "mermão". 

Ontem mesmo uma colega de classe me perguntou de onde eu era e fiquei surpresa com o: "ahh, então você é do Brasil mesmo", quando respondi Cabo Frio. Como assim? Não dá para perceber o meu acento brasileiro? Carioca até! Estou me esforçando para alcançar o tal do "mermão". Assim as pessoas não teriam dúvida da minha nacionalidade. Mas esta, pobrezinha, foi questionada tantas vezes nos últimos meses, que nem mesmo ela sabe se é brasileira de verdade.  
O que você quer da vida? Estes dias estava pensando no meus próximos planos... E em como eu não planejo as coisas... O que eu quero da vida? 

um café

Mais de um mês já se passou desde o meu fatídico retorno à terra das bananas, do samba, do carnaval e do Michel Teló. 

As loucas aventuras de Anne…

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Hoje eu despertei de um pesadelo e caminhei, atordoada, em direção a cozinha, precisava de um café. Mal reconhecia minha casa, olhava a volta e ficava surpresa com o lugar, mas após alguns segundos percebi: “ah é! Eu estou em Madrid, ufaaa, graças a Deus, que sonho horrível…”. Preparei minha cafeteira “italiana” e liguei o computador: “tenho que terminar o trabalho do Pascual”.

Comecei a pensar na Luana (amiga do Brasil) que chegará hoje aqui em casa, na Vanessa (amiga de Porto) que virá domingo… Trabalhos, provas, viagem a Cartagena, Pascual… E me lembrei de como a Akemi escrevia em seu blog, sobre as coisas pirantes que aconteciam em seu mestrado na França. Eu costumava ler o seu blog SEMPRE, ficava ansiosa por uma atualização e passava tempos e tempos na frente do computador lendo e relendo.

Como é estranho pensar que há meses não faço isso, era uma rotina e eu só me dei conta de que ela acabou agora, hoje. Me lembrei de como ficava excitada com a possibilidade de viajar um pouquinho através dos olhos da Akemi. Ficava feliz quando via a atualização no facebook e, depois de um tempo, nem esperava que ela colocasse no facebook, eu mesma abria o browser, digitava “www.tabuleirodebolo.blogspot.com.br” e viajava nas aventuras, muito bem escritas, da Akemi.

Sou o tipo de leitora que embarca na história, vive, chora, sofre… Quando Khal Drogo morreu no primeiro livro de “The song of ice and fire” entrei em desespero… Não comia, não dormia direito. É, eu sou assim mesmo…

Então abri o meu blog e todos os rascunhos das coisas que vivi neste intercâmbio, e que não postei, e fiquei fascinada com as histórias. Era como se eu estivesse revivendo tudo aquilo que estava na tela. E ler minhas próprias aventuras, me fez querer mais! E mais!!! Me fez sofrer e sorrir novamente. Então percebi que já não preciso do blog da Akemi para viver alguma experiência de intercâmbio, estudando num país diferente, com seus costumes e línguas… Eu só preciso sair para dar uma volta.

*Ah! E o pesadelo, era uma coisa boba que não tem nada a ver com o que estou vivendo, mas as vezes, aquela coisa simples, sem nenhum aparente significado relevante, pode fazer toda a diferença. ´;)

Portugal, amigos e bob esponja (parte 2: Porto e Madrid ^^)

Cheguei a Porto trocando e-mails e mensagens, arrependida por não ter ficado mais um diazinho em Lisboa… Juliano foi me buscar no terminal de autobuses (vulgo, rodoviária) e a noite rolou jantarzinho no buteco da murena, boate com festa ESN e reencontros!!! Porto é minha segunda casa… Mas já não parecia tão colorida… A cor estava em Lisboa, mandando mensagens para o meu celular.

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Alguns dias depois resolvi aproveitar Porto e deixar Lisboa ir… E em meio a compras, chuva e vinhos! Conheci dois indiano super gente boa e trocamos telefone, facebook e minha lista de amigos cresceu um pouco mais… Porto é tão surpreendente que parecia que estava em outra cidade!! Passei os 2 dias seguintes entre cafés, pasteis de natas e botas… Tive comprar mala extra para trazer tudo. A viagem foi ótima, conheci uma loja de drogas legais, revi o gatinho Simba, meus amigos, a praça dos Aliados… É… Porto realmente renovou minhas energias.

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O vôo para Madrid atrasou e acabei perdendo o teste de italiano. Já estava me arrependendo de não ter ficado em Porto até domingo, quando meu celular tocou… Era a Maira, uma amiga que eu super adoro, me convidando para sair. Fomos para um bar brasileiro e depois para uma boate de rock! E esta noite foi inesquecível…

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Na saída da boate, conheci um brasileiro-intercambista-nerd-metaleiro que fez meu retorno de Portugal valer a pena e me fez perceber que a vida pode ter cor em qualquer lugar! Só depende de como você a vê.

jose

Passei esses 3 meses de intercambio encantadinha por um galego que fazia meu coração acelerar quando via seu nome online no facebook. E agora, depois de 3 meses perdidos entre esperanças, esperas e promessas não cumpridas, percebi que eu só precisava olhar para o outro lado. E eu, sensível como o que, apaixonada pela vida e com o coração (que outrora estava) partido… Aprendi, nesses 10 dias de Portugal e 3 dias de Madrid, que não podemos nos dar ao luxo de desperdiçar um momento sequer desta vida linda. As oportunidades estão ali, do outro lado da Porta e você só precisa abrir.

Veja a parte um aqui!